Anseio em segredo conversar contigo. Quero contar-te coisas… Quero falar-te na minha viagem, quero dar-te novidades.
Durante a manhã, quando percorro a planície, Guadiana acima, volto a recordar-me de ti.
Tento custosamente concentrar o olhar na estrada, mas este foge-me insistentemente para os campos, para os olivais, para os caminhos velhos.
Tento custosamente concentrar o olhar na estrada, mas este foge-me insistentemente para os campos, para os olivais, para os caminhos velhos.
Pelo dia fora, embebedado na rotina diária, voltas à minha memória. Regressas em cada palavra, história ou assunto.
Vejo-te de novo, quando a janela me traz a silhueta da moura encantada.
Vejo-te de novo, quando a janela me traz a silhueta da moura encantada.
Contrariamente à rotina, vens me à memória de forma inesperada… que bom que é recordar assim!
À tarde, Guadiana abaixo, a solidão da viagem é mote para regressares. Volto a ver os campos, os olivais e os caminhos velhos. Lembro-me como conhecias tudo e sobretudo recordo a maneira especial como respeitavas esta realidade. Levo na porta uma navalha tua, na carteira o teu cartão de sócio do Glorioso (que tanto te dava orgulho). Tento desesperadamente levar-te comigo para juntos percorrermos a planície.
Já junto ao Guadiana, chego a casa. Abro a porta e lá estás tu outra vez!
Fumo um cigarro e rego a oliveira. Olho para ela com aquele pensamento de que nunca serei tão bom agricultor como tu.
Lembro-me de ti!
E sabes que mais?
Tenho saudades tuas Avô!
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