quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A bruma no espelho!


Entre as gotas da chuva, entre a bruma e o cheiro a terra molhada surge o vale preenchido pelo Rio.

Aproximo-me do alto do cerro, e contemplo a imensidão das paisagens.
A luz que atinge o rossio com os salpicos do verde no castanho da terra traz me calma.

Aquele sítio apaixona!

Quando o vi pela primeira vez, assaltou-me o coração... Um misto de surpresa e de espanto pairaram na minha mente.

Como é possível existir um lugar assim?

Majestoso é o rio que acompanha a terra que se vê ao espelho!
A terra velha e cansada encostada na terra e isolada dos seus, apenas pode olhar para o vizinho. O rio medeia uma conversa de muitos anos, reflecte um olhar incansável.

A tentativa de dividir aquele sítio por fronteiras humanas fracassa. Não podemos olhar só para um lado.
Será esta relação que tanto me intriga?

Apaixona-me a terra, nunca a situação! Fico triste pelo abandono daqueles que sempre estiveram abandonados.

Sabe-me bem voltar... A paixão é assim…

E cada vez que volto Guadiana Abaixo volto a apaixonar-me!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A inércia do momento




“A inércia é uma propriedade física da matéria (e segundo a Relatividade, também da energia). Considere um corpo não submetido à ação de forças ou submetido a um conjunto de forças de resultante nula; nesta condição esse corpo não sofre variação de velocidade. Isto significa que, se está parado, permanece parado, e se está em movimento, permanece em movimento e a sua velocidade se mantém constante. Tal princípio, formulado pela primeira vez por Galileu e, posteriormente, confirmado por Newton, é conhecido como primeiro princípio da Dinâmica (1ª lei de Newton) ou princípio da Inércia.” Fonte: Wikipédia

Há na vida momentos que nos marcam. Esta afirmação deriva na terrível realidade de que também há momentos aos quais não damos importância nenhuma.
Eu, pessoalmente penso que todos os momentos na vida nos marcam profundamente e que só ficam à espera de um pretexto para sair cá para fora.
Em conversa, ouvi alguém dizer que o sentimento de nostalgia (que cresce à medida que vamos ficando mais velhos) é enganador!
Todos nós já tecemos o comum comentário: “isto devia era voltar ao antigamente!”
As saudades de outros tempos podem ser uma ilusão! Penso até que, o que nós queremos efectivamente é voltar às pessoas que outrora tivemos.
Ontem à noite, assisti a um documentário na RTP2, que relatava de forma singular a vida de um Grande Geógrafo – Orlando Ribeiro.
Para quem é Geógrafo, o Professor Orlando Ribeiro é e sempre será uma referência.
Geografia à parte, uma das coisas que me intrigou durante o documentário foi a expressão de alegria que os colegas, esposa, filho e outros companheiros estampavam no rosto quando relembravam o Professor.
A nostalgia das excursões, do trabalho de campo, do trilhar de caminhos na Renault 4, enchia o coração daquelas pessoas.
O que é que nos alegra? São as saudades dos outros tempos ou as saudades de "Nós" noutros tempos?
Nunca seremos iguais ao que somos hoje! Ficamos embebidos na inércia do momento, recordado quem fomos e planeando o que seremos.
Não contemplamos o momento em que estamos!

Hoje quero ser apenas o que sou!

Momento - Uma família de portugueses no Colonato da Cela (1960)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Um pensamento

Hoje Guadiana acima pensei que :

" Quando não é possível chegar a uma solução ideal, o ideal é chegar a uma solução possível"


A frase é minha e a conclusão também. Distingo a frase da conclusão pois penso que muitas vezes ficamos presos à procura da solução ideal. Ficamos presos na frase!

Parece óbvio!

Possível será com certeza! 

Lembro-me de ti!


Lembro-me de ti quando acordo.

Anseio em segredo conversar contigo. Quero contar-te coisas… Quero falar-te na minha viagem, quero dar-te novidades.

Durante a manhã, quando percorro a planície, Guadiana acima, volto a recordar-me de ti.

Tento custosamente concentrar o olhar na estrada, mas este foge-me insistentemente para os campos, para os olivais, para os caminhos velhos. 

Pelo dia fora, embebedado na rotina diária, voltas à minha memória. Regressas em cada palavra, história ou assunto.

Vejo-te de novo, quando a janela me traz a silhueta da moura encantada.

Contrariamente à rotina, vens me à memória de forma inesperada… que bom que é recordar assim!

À tarde, Guadiana abaixo, a solidão da viagem é mote para regressares. Volto a ver os campos, os olivais e os caminhos velhos. Lembro-me como conhecias tudo e sobretudo recordo a maneira especial como respeitavas esta realidade. Levo na porta uma navalha tua, na carteira o teu cartão de sócio do Glorioso (que tanto te dava orgulho). Tento desesperadamente levar-te comigo para juntos percorrermos a planície.

Já junto ao Guadiana, chego a casa. Abro a porta e lá estás tu outra vez! 

Fumo um cigarro e rego a oliveira. Olho para ela com aquele pensamento de que nunca serei tão bom agricultor como tu.

Lembro-me de ti!
E sabes que mais?
Tenho saudades tuas Avô!