O tema do encerramento do Ramal Ferroviário - Beja e Moura, será sempre um assunto “doloroso”, para a margem esquerda do Guadiana.
Esta afirmação será verdade para alguns. Certamente as gerações mais recentes não se recordarão da automotora que ligava estas gentes à capital de distrito.
Alguns dizem que foi o inicio do fim, outros falam numa ligação que não era rentável e que não fazia qualquer sentido na actualidade.
Eu ainda me recordo, embora muito vagamente, do ramal de Moura em pleno funcionamento. Ainda me lembro de fazer a viagem até Beja na automotora. Recordo-me das pessoas na estação, do barulho da automotora a chegar, da passagem em Pias e por baixo da Ponte de Serpa.
Mas, curiosamente não me recordava da estação de Serpa!
Pois bem, em virtude do encerramento provisório da estrada que liga Pias a Moura, vi-me obrigado a fazer o desvio diário por Brinches. É com alguma vergonha que confesso que a última vez que tinha feito este caminho já teria sido há uns bons 10 anos. Senti-me de tal forma perdido que nem dei por aquela depressão na estrada onde estava a linha, só quando vi os edifícios (que restam) da estação de Serpa é que senti algo de familiar.
Vieram-me à cabeça memórias! Já me lembrava da Estação de Serpa. Assaltou-me um sentimento de nostalgia e de tristeza.
Nostalgia porque me fez lembrar de bons tempos no passado, passado em que toda esta região vivia um pouco mais pobre, mas cheia de esperança.
Tristeza, já que, tal como no caso da estação de Moura, estas visões de abandono e destruição da coisa publica deixam qualquer pessoa que goste realmente da sua terra, completamente de rastos.
Enfim, haverá certamente outros exemplos. A mim, que passo por aquele local regularmente vai-me custando, sei que haverá outros que tiveram o mesmo pensamento.
Agora, Guadiana Acima reabriu a ligação Moura – Pias. Volto a esse trajecto, sem esquecer as Estações do Ramal de Moura.

