A calma do tempo esconde a agitação.
Gasta-se o tempo pensando o que é certo e o que é errado.
Todos temos a ilusão que seremos eternos e que as nossas vidas devem ser um farol de sucesso.
A ilusão da eternidade é um facto! Para além disso é um erro!
Se a "suposta" noção de eternidade nos faz exceder os limites, ela também nos cria a ilusão da maior fatalidade. A fatalidade de sermos o que somos hoje, apenas tendo a hipótese de honrar os que nos antecederam e criar memórias para aqueles que cá ficam.
É a calma do tempo que nos assassina. Não nos mostra que o tempo passa e ilude-nos com a eternidade.
Correndo o risco de estarmos errados, cumprimos a maré. Acompanhamos um ritmo de modas e seguimentos, sem saber da tempestade.
A tempestade é o hiato destas marés. É o momento em que deixamos de ter a noção dos limites do que é razoável. É a altura em que temos a noção de que não há limites.
E é por isso que, por vezes, parecemos calmos antes da tempestade. Insistimos em acreditar que o normal se segue, mesmo sabendo que na normalidade não está o extraordinário.
É a inesperada virtude da ignorância. A virtude de não saber da tempestade.
Mas a tempestade vem aí! E vem aí novamente. E a inesperada virtude da ignorância era pensar que ela não vinha. Era dizer que só iriamos ter preia-mar e baixa-mar.
E que bom que era! Era bom saber que a tempestade não vinha.
Mas este é o fado. É o meu fado! Saber que a tempestade vem. E ainda por cima saber que não consigo ficar indiferente. Mesmo que a tempestade me faça naufragar.
Porque é isso que me tira da maré! é isso que me enche o peito de ar! é isso que me leva a dizer: Vamos a isso, Eu não tenho medo!
Porque eu, não sou eu! Tenho uma mão cheia de gente atrás! Tenho uma mão cheia de gente ao lado! E tenho gente que me sucede.
E não é gente de marés! É gente que enfrentou as tempestades!

Sem comentários:
Enviar um comentário